sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Invisibilidade

À noite,
debaixo dum alpendre manhoso,
um monte, informe, de trapos velhos
mal esconde uma figura jacente.
A figura é humana,
os trapos velhos são mantas, sujas, e rasgadas,
o alpendre é um qualquer, um de tantos,
a noite é a que tu quiseres.

À volta passam outras figuras humanas,
umas apressadas, outras indolentes,
passam noutra dimensão, paralelamente.

Afinal a invisibilidade é tão fácil;
basta um monte de mantas velhas, sujas e rasgadas,
e a necessidade de não olhar,
para ter a certeza de não ver.

domingo, 23 de agosto de 2015

Ontem à noite vi uma estrela cadente
e hoje de manhã conheci um coelho sorridente!
Tudo isto à sombra dum "cão" negro, imponente.
Enquanto o mar rugia bravamente,
e o vento uivava loucamente,
eu, excitado, entusiasmado, fremente,
olhei à volta, procurei um confidente;
alguém a quem contar o incidente.
Estava sozinho, embora houvesse gente.
Sob o céu, cinzento e inclemente
chorei; despudoradamente.
Parei, recompus-me, e decididamente
desatei a escrever furiosamente,
para "postar" urgentem... que digo, imediatamente!
Como se estivesse possuído, ou demente.
Tentando, em vão, inutilmente,
esconder que estou só, triste e impotente.