terça-feira, 30 de setembro de 2014

A vida social


Não vivo na vida!
Encontrei o buraco perfeito!
Vivo, algures, na rede social!

Estou entalado,
Entre o não ser e o não existe,
Entre o teu sonho,
E o meu pesadelo!

Não interessa,
Não importa...
Nem eu existo,
Nem tu és real!

Dai-me ritmo,
Dai ritmo às palavras,
Não interessa o que digo,
Desde que o diga rimando....

Atenção!
Não interessa o que dizes,
Não interessa como o dizes...
Mas di-lo de forma ritmada!

Di-lo em verso,
Di-lo em quadra,
Di-lo de forma simplista,
Di-lo de forma ritmada...

Chacina o dodecaedro,
Mata toda a forma regulada...
Só nos interessa BERRAR!
(Seja em que forma for...
...mas algo ritmada!)

Conta a história,
Que nunca existiu,
Mas faz dela,
O sonho que ninguém pariu!

No alvor da madrugada,
Tenta agarrar um sonho.

Sonha o amanhecer perfeito,
Vê o Sol, o Céu, as Nuvens,
E tudo o resto que vem atrás...

Agora reinventa-o,
E publica no Facebook!







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segunda-feira, 4 de agosto de 2014

NOJO!

Enquanto crianças morrem;
PARVOS, gritam:
LÁ, já não há escolas!

Enquanto crianças morrem;
PARVOS, cantam:
LÁ, é um enorme cemitério!

Enquanto crianças morrem;
Gente Espúria, (PARVOS!) postam:
LÁ, vive o demo em forma de gente!!!

Enquanto as crianças MORREM:
sento-me (sinto-me) aqui… Impotente!
escrevendo, parvas palavras ocas…

Enquanto as crianças MORREM:
choro lágrimas de tinta… (In)permanente!
… e, ao mesmo tempo, peso acusações reciprocas.

Mas…

…enquanto as bombas,
não param de caír,
as escolas não param de ruír!

…enquanto as reservas,
não param de surgir,
…o cemitério, não para de se expandir;


Ai!...
Mas pior;
Enquanto eu escrevo,
E tu me lês…
As crianças continuam a MORRER!!!

Nada acontece…
…nada muda!...

As crianças, continuam mortas!...
Tu (PARVO), continuas indignado,
Eu (PARVO), continuo um coitado…

Mas o pútrido e fétido cheiro
Do cadáver não “molestado”
E da “colateridade” do corpo inchado!
Não po(de(ve) ser… esquecido!

È a realidade imanente;
O momento fétido,
malcheiroso,
nojento
em que, no sofá, jazemos
cheios de raiva e gordura,
com vontade de lutar,…
mas, sem força nas canetas,
e sem mais nada… só tretas!

Oh, oh!...
Grandes, ENORMES (PARVOS)… PUNHETAS!!!

De masturbação feita,
e diploma na mão
agacho-me e escondo-me
aos posts…

Aí sacudo e espremo… o cérebro!

Mas: …

As crianças continuam mortas!

E as bombas não param de cair…

MAS!:
as CRIANÇAS continuam MORTAS!

E as BOMBAS não param de CAÍR…

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Morreu novo, coitado...



Quando o futebol
emociona mais do que a data;
Quando as palavras de ordem
se gritam em surdina;
Quando a Grândola
nada mais é que folclore;
Quando um cravo na lapela
é apenas bizarra opção de moda...

É caso para dizer:
Pobre 25 de Abril,
morreu tão novo;
tinha só 40 anos...

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Poeta filósofo sabio louco



(Sentado na mesa ancestral)

O poeta lança olhares furibundos
por debaixo dos cabelos desgrenhados.
Espuma raiva, em palavras caladas,
de seu punho a tinta jorra em golfadas
pelo papel, sequioso, corre um rio
de emoções escondidas que a caneta pariu.

(Um pouco atrás, de pé)

O filósofo observa tranquilamente.
O seu olhar vagueia, indolentemente,
algo distante, como que ausente,
ora poisa nas costas do poeta demente,
ora nos fiapos da tapeçaria esfarrapada
que pende sozinha, esquecida, abandonada.

(Afundado num cadeirão)

O sábio, com ar severo,
Olha reprovador e austero,
Para o furibundo poeta demente,
para o tranquilo filósofo indolente.
Ele sabe. Ele tem a certeza!
A resposta não está naquela mesa.

(Saltitando desvairado pela sala)

O louco imita o vento:
uivando de contentamento
atira pelo ar as folhas do poeta!
Ri-se, com gosto, do sábio da treta.
Pisca um olho ao filósofo imóvel
que boceja, algo divertido, mas imutável.

Quando o louco se cala,
nada mudou na sala.

Cai no sofá, velho e desconjuntado,
arfando de cansaço e desolado.
Solta um ultimo brado,
um apelo desesperado!

É com sangue que escreves!
É a tua vida que contas!
É o teu desespero e a tua solidão
que plasmas em resmas de folhas soltas!

Mas o tempo parece estar parado
e o louco é, ostensivamente, ignorado.

O poeta escreve furiosamente.
O filósofo observa indolentemente.
O sábio reprova severamente.

Lentamente o louco levanta-se
com ar triste e pesado
dirige-se para a cozinha;
num pouco de azeite rançado
estrela o ultimo ovo.
Serve-se de um copo de vinho,
pega num naco de pão duro,
senta-se à mesa a comer.

De olhar vago e vazio espera que os dias acabem
Lá no alto do seu sexto andar, fechado na sua torre urbana;
sem ameias nem homenagem…

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Poema duma tarde de chuva



Hoje chove,
o céu chora em tons de cinza.

Sentado olho em frente
e vejo o reflexo da vida que passa...
lá fora.

Sou Platão,
fechado numa caverna
observo as sombras da vida
que não vivo.

Percebo,
de forma difusa,
a interminável procissão
de corpos humanos que desfila
por trás de mim.

Apressados e irrequietos,
como formiguinhas trabalhadoras,
indolentes e preguiçosos,
como cigarras sonhadoras,
os corpos humanos
desfilam à chuva.

Mas a tarde não é triste;
guarda-chuvas multicolores
desfilam pela mão dos corpos humanos.
Antes as tardes de chuva eram tristes
porque os guarda-chuvas eram cinzentos e feios,
agora são coloridos,
como flores.

De repente o tilintar de louça
acorda-me,
aos poucos o ruído das conversas
torna-se cada vez mais inteligivel;
Não sou Platão
nem estou na caverna!
Estou n' A Brasileira
e tomo café.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Triptíco Jardinário!


Um poema dividido em três (3).

(ou não…
se calhar há mais umas quadras,
ou um coro, tipo tragédia grega,
ou coisas afins que aparecem
só para (ex)(com)plicar melhor ou pior as coisas…
não sei…

na realidade: não quero saber…)



I. do Jardim Escondido


Lembras-te daquele jardim?
Aquele, ali na esquina,
escondido,
lembras-te da mata de rosas?

Lembras-te de como forcei a entrada,
para chegar junto delas!
Não havia muros nem portões,
que me impedissem de lá chegar!

Lembras-te da perfeita harmonia matemática
da sua forma?
Lembras-te da inebriante melodia
do seu perfume?

Lembras-te de como chorei
por não ser rosa, nesse dia?
Lembras-te que não as colhi
para não perturbar o sublime?

Esse dia foi:
Bonito,
Imenso,
DIVINO!

Nesse dia quis ser parecido com uma rosa.



II. do Jardim das Delicias


Nesse Jardim, eu:
Entrei,
Ataquei,
Furei;
como se fosse o Bosch,
(mas sem ser berbequim)!

Desvirguei o meu pedaço de vida,
com a força de mil cavalos de potência!
Mergulhei até ao fundo
com o desespero da demência.

Mamei nas tetas do mundo
com a sofreguidão dum recém-nascido.
Chupei o tutano do ser
com a sorna dum mal parido!

Penetrei orquídeas multicores
com o desespero dos impotentes.
Apalpei sedentos amores
de perdidas peles frementes.

ESTUPREI,
o perfeito jardim escondido.

MISTUREI,
o meu ser com a mata de rosas.

SUGUEI,
o mel dessas flores como se fora o fruto proibido!

AMEI,
orquídeas, rosas, matas, momentos,
melodias, harmonias, formas, perfumes,
a pele, o sabor, o mel, o tutano do ser...

CONQUISTEI,
o Jardim!

EIS-ME!
Quem?
Não sei…
Eu!

Mas o jardim é meu!
(…ou não?...)



III. no Jardim da Realidade


As rosas chocam com cravos!
As verdes folhas,
azuis querem ser,
para não ser o que todos esperam!

Boom, Crash, Bang!
E mais todos os barulhos industriais!!!
O anódino Bulldozer
avança sem pudor!


AVISO


A TODOS OS SONHOS SERÃO DESTRUÍDOS!

Esmaga bem os canteiros!
(de todas as flores, não importa!)

Em canteiros de flores
se geram IDEIAS!

Em canteiros de ideias
se geram GESTAS!


AVISO


A IDEIAS, GESTAS, HEROÍSMOS...
A PERIGO! PERIGO! PERIGO!

Boom, Crash, Bang!
Bip, bip, bip, bip, bip, bip,
Cuidado, avanças em sentido perigoso…

Não penses,
não queiras,
não faças…

Fica,
quieto!
Aí, mudo e quedo!

Não cries,
não compliques,
não chores,
não berres!

Come chocolates!
Esquece as flores!
Não há mais metafisica neste mundo,
que não sejam os chocolates!


AVISO


A NÃO HÁ CANTEIROS DE FLORES!

(…esquece,
por favor esquece a mata de rosas…)



Epílogo

(…em jeito de resposta, sussurra, em coro, a mata de rosas do Jardim Escondido:)

Maldito poeta presumido
que a empáfia do mundo
engoliu, e se fez enchido…
Maldito idiota pudibundo!

Idiota sobranceiro
que se crê suma inteligência!
Somos flores, ó agoireiro,
imbecil à máxima potência!

As flores são para colher,
e exibir o fruto da colheita!
Não somos nada sem morrer
somos apenas vida imperfeita!

Maldito cabrão, idiota!
Não somos um conceito!
Não somos enfeite de fatiota!
Maldito pensador putrefeito!

Corta-nos, mata-nos;
exibe-nos, PORRA!

AFIRMAÇÃO

A NADA SOMOS SE NÃO NOS DISSEREM QUEM SOMOS!