sábado, 26 de abril de 2008

Portugal suicidou-se.



Os sonhos são belos,
mas sonhos são;
já os ideais, são novelos
de imensa confusão.

(Dizia o Poeta:)
As portas que Abril abriu
nunca mais ninguém as cerra!
(Mas, na realidade;)
Os sonhos que Abril pariu
jazem sete palmos debaixo de terra!

O Poeta morreu,
o Povo é carneiro,
o Capitão tremeu
e o Soldado é ronceiro.

O sonho,
por todos sonhado,
foi, por todos,
estuprado.

Nem Abril, nem sonho.
Nem Povo, nem nada!
Só Portugal;
cansado,
perdido,
fodido!

As portas que Abril abriu:
estão fechadas, a cal e canto,
e os sonhos que Abril pariu,
morreram; sem um pranto.

Portugal, está morto, morrido, matado.
Portugal, matou-se!
Portugal, não está suicidado;
Portugal suicidou-se!

segunda-feira, 7 de abril de 2008

O mais do que isto?



O mais do que isto,
não é Jesus Cristo…

O mais do que isto:
é o vodka,
é o rum,
é o vinho,
é o haxixe.

O mais do que isto,
é o torpor,
é o analgésico que nos deixa viver,
é o alucinogéneo que nos permite sonhar…

Bibliotecas?
São cemitérios de arvores,
resmas inúteis de papel
sujo com letras.

Finanças?
São grilhetas
que nos prendem
a uma vida que não queremos.

O Sol?
Esse gira,
e segue girando;
cego e alheio a tudo.
E porque não?
Ele é perene,
nós é que somos transitórios.

Grande?
Grande é o nada,
grande é o oblívio;
tudo o resto é maçada.

Mas o pior do mundo,
Fernando,
são as crianças;
condenadas
sem culpa,
maculadas
sem pecado…

Assim



E assim, de silêncios,
são feitos os nossos diálogos.

De momentos partilhados a sós.
De calar o que quero gritar.
De desejos reprimidos
e sentimentos escondidos.
De medos e temores,
de pânicos e terrores.

Da contenção,
de involuntários tremores.
Da repressão,
de incontroláveis ardores.

É negar o desejo.

De lágrimas secas,
e suores frios,
são as noites.

De gritos mudos,
e desesperos calados,
são os dias.

Sim,
a vida é assim.

É calar,
o que quero gritar.
É esconder,
o que quero fazer.

Será que não há mais nada?



Caos e confusão,
dor e desolação.
Eis os parâmetros da vida.

O vazio e o oco,
o nada e o silencio.
Eis a realidade do existir.

Nada,
o nada é tudo,
e tudo nada é!

Não lutes,
rapazinho, não lutes…
Olha que não vale a pena.

A corrente é demasiado forte,
e no fim só há um resultado:
morrerás afogado!

Linda menina



Linda menina,
que te vejo tão triste;
sempre te olhei tão doce,
doce e linda
minha querida menina triste.

Onde estão teus doces olhos?
Teu lindo olhar,
minha menina linda?
Onde tua inocencia,
tua ilusão, tua vontade?...

O tempo,
impiedoso,
tudo apagou.
Simples e crua
a feia, fria e triste verdade,
impôs o pesadelo da realidade.

A luz apagou-se.
A ilusão morreu.
A doçura diluiu-se.
Só ficaste tu,
triste e linda,
minha linda menina triste.

Ecce Dominus



Algures,
sózinho num quarto,
escuro e bolorento,
o cronista escreve,
e assim,
lenta e inexoravelmente,
vai tecendo
a mortalha de destino
que nos amarra ás nossas vidas!

Nós,
nada mais somos
que marionetas impotentes,
dançando,
sempre dançando,
ao som da música
que nos dão,
pendurados na mão
d'um bonecreiro louco.