Sob o sol do meio-dia,
no meio da avenida,
a violinista toca o Ave-Maria de Schubert.
(Pauso o meu dia;
encosto-me às pedras do velho teatro
e deixo-me enlevar pela música.)
À sua frente passam outras Marias,
e Mários, e afins...
Passam alheios, abstraídos,
indiferentes, alienados;
os seus olhares vidrados estão fixos,
fixos num pequeno,
e brilhante,
retângulo mágico…
(Que cesse toda a realidade
onde se levanta a virtualidade!)
Fora desse mundo nada existe;
não há nada para ver,
não há nada para ouvir…
E a violinista continua a tocar.
(Não reconheço esta nova peça,
mas é bonita!)
Eu?
Eu sento-me e escrevo um poema,
reviro os bolsos e deixo-lhe as moedas que tenho.
(São poucas, muito poucas,
sobretudo se as compararmos com o seu talento;
menos ainda se pensar no prazer que me deu…)
Depois sigo o meu caminho
e continuo a viver esse dia.
Sem comentários:
Enviar um comentário