Um poema dividido em três (3).
(ou não…
se calhar há mais umas quadras,
ou um coro, tipo tragédia grega,
ou coisas afins que aparecem
só para (ex)(com)plicar melhor ou pior as coisas…
não sei…
na realidade: não quero saber…)
I. do Jardim Escondido
Lembras-te daquele jardim?
Aquele, ali na esquina,
escondido,
lembras-te da mata de rosas?
Lembras-te de como forcei a entrada,
para chegar junto delas!
Não havia muros nem portões,
que me impedissem de lá chegar!
Lembras-te da perfeita harmonia matemática
da sua forma?
Lembras-te da inebriante melodia
do seu perfume?
Lembras-te de como chorei
por não ser rosa, nesse dia?
Lembras-te que não as colhi
para não perturbar o sublime?
Esse dia foi:
Bonito,
Imenso,
DIVINO!
Nesse dia quis ser
II. do Jardim das Delicias
Nesse Jardim, eu:
Entrei,
Ataquei,
Furei;
como se fosse o Bosch,
(mas sem ser berbequim)!
Desvirguei o meu pedaço de vida,
com a força de mil cavalos de potência!
Mergulhei até ao fundo
com o desespero da demência.
Mamei nas tetas do mundo
com a sofreguidão dum recém-nascido.
Chupei o tutano do ser
com a sorna dum mal parido!
Penetrei orquídeas multicores
com o desespero dos impotentes.
Apalpei sedentos amores
de perdidas peles frementes.
ESTUPREI,
o perfeito jardim escondido.
MISTUREI,
o meu ser com a mata de rosas.
SUGUEI,
o mel dessas flores como se fora o fruto proibido!
AMEI,
orquídeas, rosas, matas, momentos,
melodias, harmonias, formas, perfumes,
a pele, o sabor, o mel, o tutano do ser...
CONQUISTEI,
o Jardim!
EIS-ME!
Quem?
Não sei…
Eu!
Mas o jardim é meu!
(…ou não?...)
III. no Jardim da Realidade
As rosas chocam com cravos!
As verdes folhas,
azuis querem ser,
para não ser o que todos esperam!
Boom, Crash, Bang!
E mais todos os barulhos industriais!!!
O anódino Bulldozer
avança sem pudor!
AVISO
A TODOS OS SONHOS SERÃO DESTRUÍDOS!
Esmaga bem os canteiros!
(de todas as flores, não importa!)
Em canteiros de flores
se geram IDEIAS!
Em canteiros de ideias
se geram GESTAS!
AVISO
A IDEIAS, GESTAS, HEROÍSMOS...
A PERIGO! PERIGO! PERIGO!
Boom, Crash, Bang!
Bip, bip, bip, bip, bip, bip,
Cuidado, avanças em sentido perigoso…
Não penses,
não queiras,
não faças…
Fica,
quieto!
Aí, mudo e quedo!
Não cries,
não compliques,
não chores,
não berres!
Come chocolates!
Esquece as flores!
Não há mais metafisica neste mundo,
que não sejam os chocolates!
AVISO
A NÃO HÁ CANTEIROS DE FLORES!
(…esquece,
por favor esquece a mata de rosas…)
Epílogo
(…em jeito de resposta, sussurra, em coro, a mata de rosas do Jardim
Escondido:)
Maldito poeta presumido
que a empáfia do mundo
engoliu, e se fez enchido…
Maldito idiota pudibundo!
Idiota sobranceiro
que se crê suma inteligência!
Somos flores, ó agoireiro,
imbecil à máxima potência!
As flores são para colher,
e exibir o fruto da colheita!
Não somos nada sem morrer
somos apenas vida imperfeita!
Maldito cabrão, idiota!
Não somos um conceito!
Não somos enfeite de fatiota!
Maldito pensador putrefeito!
Corta-nos, mata-nos;
exibe-nos, PORRA!
AFIRMAÇÃO
A NADA SOMOS SE NÃO NOS DISSEREM QUEM SOMOS!
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