segunda-feira, 21 de abril de 2014

Poema duma tarde de chuva



Hoje chove,
o céu chora em tons de cinza.

Sentado olho em frente
e vejo o reflexo da vida que passa...
lá fora.

Sou Platão,
fechado numa caverna
observo as sombras da vida
que não vivo.

Percebo,
de forma difusa,
a interminável procissão
de corpos humanos que desfila
por trás de mim.

Apressados e irrequietos,
como formiguinhas trabalhadoras,
indolentes e preguiçosos,
como cigarras sonhadoras,
os corpos humanos
desfilam à chuva.

Mas a tarde não é triste;
guarda-chuvas multicolores
desfilam pela mão dos corpos humanos.
Antes as tardes de chuva eram tristes
porque os guarda-chuvas eram cinzentos e feios,
agora são coloridos,
como flores.

De repente o tilintar de louça
acorda-me,
aos poucos o ruído das conversas
torna-se cada vez mais inteligivel;
Não sou Platão
nem estou na caverna!
Estou n' A Brasileira
e tomo café.

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